Novo dinossauro descoberto na Argentina revela mistura inédita de espécies
Por sandro
Publicado em 18/04/26 às 07:14
Uma nova descoberta na Patagônia argentina está ajudando a reescrever o que se sabe sobre os gigantes de pescoço longo que dominaram a Terra há milhões de anos. Pesquisadores identificaram uma espécie inédita de dinossauro saurópode a partir de um esqueleto parcial encontrado no sul do país, revelando pistas importantes sobre a evolução desses animais no hemisfério sul.
Batizado de Bicharracosaurus dionidei, o dinossauro viveu há cerca de 155 milhões de anos, durante o período Jurássico Superior, e podia atingir aproximadamente 20 metros de comprimento. A descoberta foi descrita na revista científica PeerJ e chama atenção por apresentar características que misturam dois grandes grupos de saurópodes: os braquiossaurídeos e os diplodocídeos.
O material fóssil inclui mais de 30 vértebras distribuídas entre pescoço, dorso e cauda, além de costelas e parte da pelve. A estrutura dos ossos indica que o exemplar pertencia a um indivíduo adulto. Segundo a autora principal do estudo, Alexandra Reutter, análises filogenéticas sugerem que a espécie tem relação com os braquiossaurídeos — o que a tornaria o primeiro representante desse grupo encontrado no Jurássico da América do Sul.
Partes do esqueleto lembram o Giraffatitan, dinossauro africano conhecido por seu porte elevado e membros longos. Já outras características, especialmente na coluna vertebral, se aproximam do Diplodocus, típico da América do Norte. Apesar dessa mistura, a anatomia geral das vértebras posiciona o novo dinossauro dentro do grupo dos braquiossaurídeos.
Para os pesquisadores, essa combinação inesperada indica que as diferenças entre esses grupos podem não ter sido tão rígidas quanto se imaginava. Durante o Jurássico Superior, período em que essas linhagens ainda estavam em diversificação, é possível que houvesse uma sobreposição maior de características evolutivas.
O fóssil foi encontrado na Formação Cañadón Calcáreo, localizada na província de Chubut, uma região que fazia parte do antigo supercontinente Gondwana — que reunia áreas hoje correspondentes à América do Sul, África, Antártida e Austrália. Historicamente, grande parte das evidências sobre saurópodes desse período vinha do hemisfério norte ou de poucos sítios africanos, como os da atual Tanzânia.
A descoberta na Argentina amplia esse cenário, oferecendo novos dados para comparação e contribuindo para uma visão mais completa da evolução global dos dinossauros. Segundo os cientistas, achados como esse são essenciais para entender como essas espécies se espalharam e se adaptaram em diferentes continentes.
Curiosamente, os primeiros vestígios do dinossauro foram encontrados por acaso por um pastor local, Dionide Mesa, em sua propriedade. O nome da espécie homenageia o descobridor, enquanto o gênero deriva de “bicharraco”, termo coloquial em espanhol usado para descrever animais grandes.
Os restos foram provavelmente enterrados próximos ao local onde o animal morreu. Com o passar do tempo, partes mais leves se perderam, enquanto ossos mais pesados permaneceram preservados. Atualmente, o fóssil está sob os cuidados do Museo Paleontológico Egidio Feruglio, onde continua sendo estudado.
Mais do que a identificação de uma nova espécie, a descoberta reforça o quanto ainda há lacunas no conhecimento sobre a história evolutiva dos dinossauros. Como destacou o pesquisador Oliver Rauhut, estudos desse tipo permitem revisar continuamente o entendimento científico sobre esses animais e sua trajetória ao longo de milhões de anos.