Nova espécie de réptil herbívoro de 230 milhões de anos é descoberta no RS
Por sandro
Publicado em 18/04/26 às 06:38
Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) identificaram uma nova espécie de réptil herbívoro que viveu no atual território do Rio Grande do Sul há cerca de 230 milhões de anos, durante o período Triássico. O animal pertence ao grupo dos rincossauros, répteis já extintos que dominaram diversos ecossistemas terrestres antes da ascensão dos dinossauros.
O fóssil analisado corresponde a um crânio quase completo, escavado em 2020 no município de Agudo, na Região Central do estado. A descoberta foi conduzida pelo paleontólogo Rodrigo Temp Muller, com participação da mestranda Jeung Hee Schiefelbein, que detalharam as adaptações evolutivas do animal voltadas ao consumo de vegetação específica da época.
O réptil apresenta características físicas consideradas incomuns entre os rincossauros já descritos, especialmente um bico pontiagudo e curvado, semelhante ao de um papagaio. Essa estrutura teria sido essencial para cortar vegetação rígida e escavar raízes, indicando uma estratégia alimentar especializada. Segundo os pesquisadores, esse tipo de adaptação sugere que diferentes espécies do grupo conseguiam coexistir ao explorar nichos ecológicos distintos, evitando competição direta por alimento.
Análise detalhada do fóssil
A preparação do material exigiu mais de seis meses de trabalho em laboratório. Durante esse período, a equipe realizou a remoção cuidadosa de sedimentos que recobriam o crânio, com atenção especial à região da dentição. Essa área é considerada fundamental para a classificação taxonômica, pois preserva características morfológicas que permitem diferenciar espécies e compreender relações evolutivas.
A análise revelou estruturas de mastigação adaptadas ao processamento de plantas específicas do Triássico. O formato do bico e o arranjo dos dentes indicam uma dieta altamente especializada, o que reforça a hipótese de que esses animais desempenhavam papéis ecológicos bem definidos em seus ambientes.
Com a nova identificação, sobe para seis o número de espécies de rincossauros registradas no Triássico brasileiro. O achado ganha relevância adicional por ter sido feito em formações rochosas onde outras três espécies já haviam sido encontradas anteriormente, o que aponta para uma diversidade significativa concentrada na região.
Os dados obtidos reforçam a hipótese de que os rincossauros atingiram seu auge de diversidade biológica no mesmo período em que surgiam os primeiros dinossauros. Embora nem todas as espécies tenham coexistido exatamente no mesmo intervalo de tempo, a presença do Isodapedon varzealis nas mesmas camadas geológicas sugere a existência de um ecossistema complexo e densamente povoado por grandes herbívoros antes da dominância global dos dinossauros.