Nova espécie de espinossauro é encontrada no Saara e põe em xeque teoria sobre dinossauro marinho

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Publicado em 22/02/26 às 07:35

Pesquisadores anunciaram a descoberta de uma nova espécie de espinossauro no deserto do Saara, no Níger, revelando um predador gigante que viveu há cerca de 95 milhões de anos, no período Cretáceo. O animal foi batizado de Spinosaurus mirabilis e é apenas a segunda espécie conhecida desse gênero de dinossauro carnívoro.

Com cerca de 12 metros de comprimento e peso estimado entre 5 e 7 toneladas, o espinossauro recém-identificado tinha características que o tornavam altamente adaptado à pesca. A descoberta foi publicada na revista científica Science e reacende o debate sobre o modo de vida desse grupo de dinossauros.

Os fósseis foram encontrados em Jenguebi, uma área remota do Saara cercada por dunas e formações de arenito ricas em vestígios pré-históricos. A região fica entre 500 e 1.000 quilômetros do litoral mais próximo — dado considerado crucial para reinterpretar os hábitos do animal.

Spinosaurus-mirabilisRepresentação artística do Spinosaurus mirabilis / Imagem: Dani Navarro

Crista em forma de espada e dentes que funcionavam como armadilha

O Spinosaurus mirabilis apresentava um crânio alongado, semelhante ao de um crocodilo, além de uma crista óssea de aproximadamente 50 centímetros de altura no topo da cabeça. A estrutura, comparada a uma cimitarra — espada curva do Oriente Médio —, provavelmente tinha função de exibição, segundo os pesquisadores.

A crista era composta por osso sólido e pode ter sido revestida por queratina, como os chifres de bovinos. Para os cientistas, sua principal utilidade estaria ligada à atração de parceiras ou à disputa territorial, e não ao combate direto.

Outro traço marcante era o conjunto de dentes grandes, cônicos e sem serrilhas. As fileiras superior e inferior se encaixavam perfeitamente quando o animal fechava a boca, formando um sistema eficiente para perfurar e segurar peixes escorregadios. A posição recuada das narinas permitia que o dinossauro mantivesse o focinho quase todo submerso enquanto respirava, facilitando emboscadas aquáticas.

Segundo os autores do estudo, essas adaptações indicam que o espinossauro era especializado na captura de peixes de grande porte, como os celacantos, que habitavam rios e lagos da região africana durante o Cretáceo.

crânio Spinosaurus mirabilisPaleontólogo Paul Sereno com o crânio do Spinosaurus mirabilis / Imagem: Reprodução

Evidências contra a hipótese de predador marinho pleno

Até então, a única espécie reconhecida do gênero era o Spinosaurus aegyptiacus, descrito em 1915 a partir de fósseis encontrados no Egito. Descobertas posteriores no Marrocos, em áreas que faziam parte do antigo mar de Tétis, levaram parte da comunidade científica a sugerir que o espinossauro poderia ter sido totalmente aquático, vivendo em ambiente marinho aberto.

A nova espécie, no entanto, foi encontrada em uma área que, há 95 milhões de anos, correspondia a um ambiente florestado no interior do continente africano. Essa evidência geográfica, combinada às características anatômicas do animal, aponta para um predador de águas rasas, semelhante a aves pernaltas atuais — embora em escala muito maior.

A expedição responsável pela descoberta ocorreu em 2022 e partiu da cidade de Agadez, no Níger. A equipe atravessou o deserto por quase três dias em comboio, enfrentando trechos de areia fofa e terrenos acidentados. O esforço resultou na identificação de partes de três crânios da nova espécie, além de outros ossos e fósseis de animais que compartilhavam o mesmo ecossistema.

Spinosaurus-mirabilis

O espinossauro é considerado o único dinossauro predador com adaptações claras para um estilo de vida semiaquático. Ao lado de gigantes como Tyrannosaurus, Giganotosaurus e Carcharodontosaurus, figura entre os maiores carnívoros que já habitaram a Terra.

Por décadas, o grupo permaneceu menos conhecido do que o popular T. rex. Agora, com novas evidências surgindo no Saara, o espinossauro volta ao centro das atenções científicas — e ajuda a reescrever um capítulo da história dos dinossauros.

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