Tiranossauro rex demorava até 40 anos para atingir tamanho máximo, aponta estudo
Por sandro
Publicado em 18/01/26 às 07:44
Um novo estudo sugere que o Tiranossauro rex, um dos dinossauros mais famosos e temidos da história da Terra, demorava bem mais tempo para atingir seu tamanho máximo do que se imaginava até agora. Em vez de crescer rapidamente e alcançar a fase adulta em pouco mais de duas décadas, o predador levou cerca de 40 anos para chegar a aproximadamente 8 toneladas, segundo pesquisa publicada nesta semana na revista científica PeerJ.
A conclusão é resultado da análise detalhada da microestrutura óssea de 17 fósseis de T. rex, que vão de indivíduos juvenis a adultos de grande porte. Os cientistas examinaram ossos das pernas e identificaram marcas de crescimento até então desconhecidas, visíveis apenas com o uso de luz polarizada. Essas marcas funcionam de maneira semelhante aos anéis de crescimento encontrados em troncos de árvores, indicando o ritmo anual de desenvolvimento do animal.
“Essa trajetória de crescimento é mais gradual do que o esperado”, afirma a paleohistologista Holly Woodward, da Oklahoma State University Centre for Health Sciences, autora principal do estudo. Segundo ela, o T. rex passou grande parte da vida em estágios juvenis ou subadultos, em vez de atingir rapidamente o porte gigantesco que o tornou célebre.
A pesquisa também revelou que o crescimento do dinossauro não seguia um padrão rígido. O espaçamento entre os anéis variava de um ano para outro, sugerindo que o T. rex crescia mais em períodos favoráveis e praticamente estagnava quando as condições ambientais ou a oferta de alimento eram ruins. Essa flexibilidade, afirmam os autores, pode ter sido decisiva para a sobrevivência da espécie.
“Se os recursos eram escassos, ele não investia energia em crescer. Quando as condições melhoravam, podia ganhar massa rapidamente”, explica Woodward. Essa estratégia teria permitido ao T. rex suportar períodos difíceis e, ao mesmo tempo, crescer mais do que outros carnívoros, reduzindo a concorrência por alimento — que, no fim das contas, se restringia a outros indivíduos da própria espécie.
O T. rex viveu no oeste da América do Norte durante o período Cretáceo, pouco antes da extinção em massa causada pelo impacto de um asteroide há cerca de 66 milhões de anos, evento que eliminou aproximadamente três quartos das espécies do planeta. O animal podia ultrapassar 12 metros de comprimento, tinha uma cabeça desproporcionalmente grande, mordida extremamente poderosa, caminhava sobre duas pernas robustas e possuía braços pequenos com apenas dois dedos.
Estudos anteriores estimavam que o T. rex vivia em torno de 30 anos. A nova análise, porém, indica uma longevidade maior, possivelmente entre 45 e 50 anos, segundo Jack Horner, paleontólogo da Chapman University e coautor do trabalho. Para ele, a nova estimativa faz mais sentido quando se considera o tamanho final alcançado pelo animal.
O estudo reuniu um número maior de fósseis do que pesquisas anteriores, muitos deles preservados no Museum of the Rockies, em Montana, e aplicou um método estatístico que combina dados de indivíduos de diferentes idades para reconstruir o crescimento ao longo de toda a vida da espécie.
O T. rex se alimentava de diversos dinossauros herbívoros, como o Edmontosaurus, de bico de pato, e o Triceratops, além do gigantesco Alamosaurus, no sul de sua área de distribuição. Para Horner, o crescimento prolongado pode ter permitido que indivíduos jovens e adultos ocupassem nichos alimentares distintos, reduzindo a competição interna.
“Os mais velhos provavelmente eram mais oportunistas e recorriam com mais frequência à carniça, enquanto os mais jovens dependiam mais da caça ativa”, afirma. Um período de crescimento mais longo, conclui o pesquisador, teria ampliado as chances de os indivíduos jovens adquirirem experiência e sucesso na obtenção de presas vivas antes de atingir o tamanho colossal dos adultos.